Fariseus da Adoração II - Hipocrisia e Orgulho

Ramon Tessman

Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim. Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homem. (Mateus 15.8,9)

Se há uma terrível transgressão que fazia parte da vida de um fariseu esta era o orgulho. A vida de um fariseu normal era caracterizada pela altivez e soberba, principalmente no que tangia à religião. Estudiosos acreditam que os rabinos se instruíam a agradecer a Deus por não terem sido criados como um gentio, um plebeu ou uma mulher. Eles eram gratos a Deus por pertencerem à uma classe "superior" de pessoas. Uma das parábolas do livro de Lucas torna esta idéia mais evidente:

O fariseu, de pé, assim orava consigo mesmo: ó Deus, graças te dou que não sou como os demais homens, roubadores, injustos, adúlteros, nem ainda com este publicano. (Lucas 18.11)

Indubitavelmente, a falta de modéstia ou insuficiência de coragem dos fariseus para assumir seus pecados publicamente, fazia deles falsos adoradores. No texto acima vimos que o fariseu simulou qualidades de personalidade, julgando a si mesmo alguém de elevado nível espiritual. É muito provável que os fariseus se autodenominavam seres quase perfeitos, intocáveis e superiores aos demais.

Os cristãos de hoje devem cuidar para não perpetrar tal transgressão. Confesso que em muitas ocasiões já senti orgulho e vergonha de declarar diante das pessoas que sou pecador e de reconhecer que também erro. Ser dirigente de louvor e servir em cima de uma plataforma por alguns anos me fez esquecer que sou imperfeito, cheio de falhas. Em quase todas as igrejas, existem pastores e líderes que têm caído com freqüência nesta armadilha. Eles não querem ferir sua reputação e passam a imagem de homens perfeitos aos seus discípulos, com o medo de que suas fachadas espirituais sejam desgastadas. Chegam ao cúmulo de não reconhecer perante o povo que são totalmente dependentes de Deus, devido ao seu horrendo orgulho e soberba.

Segundo os nossos dicionários bíblicos, a hipocrisia consiste em fingir alguém ser aquilo que não é como se estivesse representando ser melhor do que, na realidade, o é. Essa é a base do falso orgulho. Alguém gostaria de ser algo significativo. Não sendo isso, o indivíduo apresenta ao público uma fachada de bondade que é falsa ou exagerada. Os sinônimos são a dissimulação, o farisaísmo, o fingimento e a falsa pretensão. O ludíbrio sempre faz parte da vida ou dos atos hipócritas .

Como vimos acima, o orgulho está sutilmente ligado à hipocrisia. Os "fariseus" de hoje se acham superiores aos outros e não querem ser humilhados, devido a sua altivez. A propósito, o vocábulo fariseus significa separados. Na época de Cristo, eles não somente se separavam dos outros povos, como também dos outros israelitas, afinal de contas, eles tinham uma imagem a zelar. Mas mesmo sustentando aquela imagem de santos e sábios não conseguiram enganar a Jesus. Como já esclareci anteriormente, não há possibilidade alguma de conseguirmos enganar a Deus. Ele sonda os nossos corações e conhece o nosso íntimo. Não há como se esquivar de Deus. Nenhum tipo de orgulho, hipocrisia e engano, prevalecerão em sua presença.

O publicano é um personagem que precisa ser lembrado quando se discute a questão da verdadeira adoração. Na parábola de Lucas 18.9-14 percebemos com certa facilidade um intenso contraste entre a adoração do fariseu e a adoração do publicano. Enquanto o fariseu gabava-se por não ser um "pecador" como os demais, o publicano dizia com tristeza:

Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador! (Lucas 18.13)

A diferença de espiritualidade é bastante visível neste texto. Numa mesma parábola encontram-se face a face a falsa e a verdadeira adoração. O fariseu se considerava justo e santo aos seus próprios olhos. Por causa dos destacados atos de compaixão e da sua bondade exterior, ele achava que não necessitava da graça de Deus, e agradecia por não ser "pecador" como os demais. O publicano, por outro lado, estava consciente do seu pecado, e com sincero arrependimento, voltou-se para Deus e pediu misericórdia. Nesta parábola a atitude do publicano simboliza a verdadeira adoração, e nos mostra como devemos nos portar diante da santidade de Deus...


Fonte: www.vidanovamusic.com


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