O Louvor e a Harmonia
Rodolpho Gorski
Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor, todas as terras. Cantai ao Senhor, bendizei o Seu nome; proclamai a Sua salvação, dia após dia. Salmo 96:1 e 2.
Na matéria de Música, em nosso curso teológico, o maestro Flávio Araújo Garcia destacou-nos este lindo pensamento de Ellen G. White: "A melodia de louvor é a atmosfera do Céu; e, quando o Céu vem em contato com a Terra, há música e cântico - 'ações de graças e voz de melodia'. Isa. 51:3." - Educação, pág. 161.
Infelizmente, estudei apenas o bê-á-bá da música; o necessário para poder cantar durante 12 anos no Quarteto Harmonia, primeiro quarteto organizado no Brasil, em 1952. No dia 10 de dezembro de 1956, junto com o Coral da União Cultural Brasil-Estados Unidos, demos um concerto no Teatro Santana, em São Paulo. No dia 12, o jornal O Estado de S. Paulo fez algumas considerações sobre o evento e sobre o quarteto que representava a igreja, bem como o então CAB, hoje IAE. Escreveu o crítico de música:
"Na parte central do programa fez-se ouvir o Quarteto Harmonia, conjunto masculino de que fazem parte Ruben Dias, Elias R. Azevedo, José A. Torres e Rodolpho Gorski. Esse grupo... revelou surpreendente equilíbrio e excelente resultado sonoro. Em vários momentos as vozes mostravam-se perfeitamente fundidas, fazendo lembrar a simultaneidade do órgão."
Guardo até hoje essa gratificante recordação, sem qualquer resquício de orgulho ou vaidade. Guardamos apenas a gratidão por termos sido usados para representar, condignamente, ao Deus que adoramos, e a Sua instituição educacional que representávamos na ocasião.
Ah! Como desejaria que houvesse mais compreensão de que o cântico e as demais apresentações musicais precisam ter e estar em harmonia para ser considerados como louvor. Ou seja, a música precisa estar em conformidade com as leis musicais da inspiração sacra; e os executantes precisam estar em comunhão, sintonia e harmonia com o objeto do louvor, que é Deus. Se esses dois itens não forem satisfeitos, poderá haver arte, mas não louvor. Louvor é interação entre Deus e o homem.
Que Deus nos ajude a termos o devido discernimento a fim de que saibamos distinguir entre o que é sacro e o que profano. Que o nosso louvor esteja em harmonia com o Céu!
Este artigo foi publicado no livro "Uma Palavra Amiga", pág 251 (Meditações Matinais de 2003, dia 4 de setembro), Casa Publicadora Brasileira, Tatuí - SP.