É Pecado Tocar Na Noite?
Pr. André Paganelli
Esse é uma das perguntas mais questionadas entre músicos cristãos que entram na profissionalização. Assunto de grande polêmica e discussão entre os chamados “levitas”.
Os que dizem que “não tocam” ressaltando como uma “obra pecaminosa” são tachados de radicais, antiquados, fanáticos, moralistas e ultrapassados. Por outro lado, os que assumem uma postura positiva e se envolvem na noite são vistos como liberais, mundanos e pessoas que não assumem um real compromisso diante de Deus.
Como responder esta questão? Para o cristão, existe um absoluto a respeito deste tema ou podemos dizer que é relativo?
Confesso que uma resposta exige um posicionamento pessoal sincero e responsável. Poderemos ouvir a opinião dos grandes músicos cristãos e segui-los em seus conceitos e valores. Poderíamos também ouvir a consideração de amigos, pais, e até de coisas inanimadas, como o nosso “extrato bancário”, às vezes, negativo.
Na minha caminhada ministerial como músico instrumentista convites não faltaram para atuar na noite. Muitos perguntam qual o meu posicionamento acerca deste tema e, o que mais me entristece é que identifico que na maior parte das vezes não buscam um conselho ou orientação; na verdade estão apenas em busca de alguém para ratificar sua posição já adotada, procurando amenizar a responsabilidade que assumiram perante Deus e a sociedade. No fundo, muitos sabem que estão em um caminho errante e incomodados com tal conjuntura, procuram alguém de projeção que compactuem com seus objetivos.
Qual a minha resposta? Realmente fico constrangido em dizer “minha” resposta! Humildemente admito que não sou o dono da verdade. A verdade não está em minhas palavras. Vivemos em um mundo relativista e pecaminoso onde não existem mais absolutos. Diante de tal situação, procuro respostas no manual de ética e conduta cristã onde qualquer pessoa denominada “cristã” tem acesso; a única e absoluta verdade, a Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada. Paulo, impelido pelo Espírito Santo, advertiu em sua carta à igreja romana e a todos nós:
“Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Romanos 12:2.
Infelizmente muitos músicos levantados por Deus estão sendo ofuscados por seus desejos de realização, não se importando em qual atividade ou terreno de atuação irão desenvolver os seus dons naturais doados por Deus. Não querem pagar um preço para realizarem-se dentro das fronteiras eclesiásticas. O dinheiro e as ditas ”oportunidades imperdíveis” no mundo secular falam mais alto. Se fecham para enxergar o alto preço que Jesus pagou pelos nossos pecados. Preço pago para que vivamos em busca de santidade e, através dos nossos dons e talentos, possamos contribuir com o Reino de Deus e não mais em colaboração com as obras das trevas.
Me resta responder a questão. Antes, recomendo a leitura de mais alguns textos bíblicos que fundamentariam nossa investigação:
Louvado seja Deus pela Sua Palavra!
É pecado tocar na noite?
Abalizados pela Palavra de Deus, devemos sempre responder esta interrogação através outras perguntas. O fato de “tocar a noite” não evidencia pecado diante de Deus, pois de dia ou de noite pode-se tocar, acertar ou errar. Estamos aqui abordando “tocar na noite”. Somente para esclarecimento, este termo refere-se a músicos que exercem suas atividades em boates, bares, restaurantes (ou semelhantes) entretendo o público com música ambiente ou não, sendo os temas romântico, MPB, blue, jazz e rock os mais solicitados.
Recomendo que, diante dos convites façam estas perguntas a si mesmo:
Muitos poderiam dizer que diante das respostas à estas perguntas só teríamos oportunidades para tocar na igreja e nada mais. Negativo!
De fato, o problema não está em simplesmente tocar na noite, mas em desagradar a Deus através da nossa conduta pecaminosa. O pecado é um mal orientado contra Deus que envolve culpa, natureza e conduta. A culpa (ou juízo) já foi eliminada na cruz de Cristo e todos os que crêem estão justificados diante de Deus. Contudo, a nossa natureza adâmica e os nossos atos nos afastam de Deus e dos Seus propósitos.
Periodicamente recebo convites para atuar em empresas, congressos e eventos no meio secular. Procuro investigar a fundo o propósito, público, ambiente e, resguardado em padrões éticos cristãos aceito ou não a proposta. Procuro impor as minhas convicções e forma de trabalho (só tocando temas cristãos ou pátrios) e na maior parte das vezes não enfrento dificuldades. Se elas aparecem simplesmente rejeito e, através deste ato, procuro primeiramente honrar ao Deus que me salvou e me sustenta.
É difícil rejeitar, dizer não? Não é difícil! Trata-se de uma postura em fidelidade ao Deus sustentador. Pela graça e misericórdia de Deus procuro buscar a cada dia, convicção doutrinária bíblica, maturidade espiritual e uma fé fundamentada no Deus Poderoso que requer de nós obediência e inteira dependência.
O meu desejo é que o caro leitor possa experimentar uma vida plena na dependência de Deus. Confie Nele e nos recursos que Ele te prover. Seja grato pela salvação e busque a verdadeira realização estando sensível ao verdadeiro projeto que Ele tem para sua vida.
Que o Espírito Santo de Deus e não minhas palavras, possam convencê-lo à verdadeira resposta. Músico companheiro, tome uma postura correta diante de Deus e, ainda nas palavras de Paulo profiro:
“Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.”
Fonte: Originalmente, este artigo estava publicado em http://www.andrepaganelli.com.br/artigos/view.asp?id=140, porém infelizmente, este endereço não é mais válido