Cinco Grandes Ilusões Auditivas
Mike Marshall
Como parte de nossa edição especial sobre música, Daniel Levitin escreveu o artigo "A Ilusão Musical", o qual observa as ilusões auditivas e como elas podem ajudar a compreender o funcionamento do cérebro humano. Aqui compilamos cinco das mais marcantes ilusões auditivas descobertas até agora.
Tivemos que escolher dentre um grande grupo de possibilidades, desde a misteriosa quintina (a quinta voz), ouvida em alguns tipos de cantos de garganta, até o solo de saxofone que não está na música Lady Madonna (na verdade, são os Beatles cantando dentro de suas mãos fechadas – mas não confunda isso com o verdadeiro solo de sax), ou ainda o ressoante som de guitarra de Dave Gilmour, do Pink Floyd. Ouça as nossas "Cinco Mais", abaixo e leia nossas explicações relacionadas aos efeitos sonoros envolvidos.
Atenção: Os arquivos de som são bastante grandes. Por exemplo, o arquivo "A Ilusão da Barbearia" (o maior deles) tem mais de 6 MB. Por isso aguarde o carregamento dos arquivos, antes de iniciar a audição. Quando os arquivos estiverem carregados, a tecla "Play" ficará habilitada. A espera vale a pena!
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1. A Ilusão da Barbearia (Ouça através de fones de ouvido estéreo [de preferência, com os olhos fechados])
Esta é uma demonstração do efeito estéreo. Ao ouvir essa "ilusão", você tem a sensação de estar realmente na cadeira de uma barbearia, com o barbeiro se movendo a sua volta, cortando seu cabelo. Na medida em que o barbeiro se move para sua direita, o volume aumenta levemente no canal direito e diminui no esquerdo. De modo semelhante, o aumento do som da tesoura, dá a impressão de ele a está trazendo cada vez mais perto de cada um dos ouvidos. A ilusão demonstra nossa habilidade de localizar sons no espaço; ao comparar os sons que chegam a cada ouvido, conseguimos identificar de onde eles vêm. [N.T. - Este tipo de gravação é conhecido como "biaural", onde é empregado o modelo de uma "cabeça", anatomicamente correta, inclusive com orelhas, as quais são perfeitas nos mínimos detalhes. No interior de cada orelha existe um microfone, o qual desempenha o papel de nossos ouvidos. Desta forma, a gravação do ambiente é captada por cada canal exatamente como seria captada por nossos ouvidos. O efeito, você poderá conferir...] |
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2. Palavras Fantasmas (Ouça através de alto-falantes estéreo separados entre si.)
Esta ilusão foi demonstrada pela primeira vez por Diana Deutsch, da Universidade da Califórnia, em San Diego. A gravação contém seqüências sobrepostas de palavras e frases que se repetem, localizadas em regiões diferentes em um mesmo espaço estéreo. À medida em que você ouve, tentará identificar frases específicas. [N.T. – As palavras estão em inglês. Pode-se ouvir facilmente "No Way", ou "No Rain", ou "Rainbow" (ou alguma outra). Pensando nestas expressões você pode alternar entre a audição de uma e de outra] Entretanto, nenhuma das frases realmente está ali. Seu cérebro as está construindo, em uma tentativa de ordenar um barulho sem o menor sentido. Na verdade, você poderá descobrir que as frases ouvidas estão relacionadas ao que já está na sua cabeça – por exemplo, pessoas em dieta freqüentemente ouvem frases associadas à comida. |
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3. Indução Temporal da Fala.
Muito da percepção humana é resultado de um preenchimento cerebral a partir de falhas nos dados de nossos sentidos. Isso significa que, se parte de uma gravação musical está faltando, o cérebro freqüentemente irá trabalhar para descobrir o que deveria estar ali. Nesta gravação de Richard Warren, da Universidade de Wisconsin, em Milwaukee, uma seqüência falada é interrompida por um tossido [N.T. – A frase em inglês é: "The state governors met with their respective legislatures convening in the capital city"]. Um dos fonemas foi, na verdade, completamente removido pela tosse. Mas não apenas a maioria das pessoas ouve a seqüência completa, como geralmente é muito difícil para elas descobrir qual fonema foi excluído. Se o fonema é substituído per um período de silêncio, ao invés da tosse, a exclusão fica bem óbvia. |
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4. Ilusão da Escala (Ouça através de fones de ouvido estéreo ou alto-falantes estéreo separados entre si.)
É outro efeito demonstrado em primeira mão por Diana Deutsch. É um exemplo de como nosso cérebro agrupa as notas, formando conjuntos. Duas escalas maiores são tocadas: uma ascendente, outra descendente. Entretanto, as notas das escalas são alternadas de um ouvido para o outro – por exemplo, o ouvido direito ouve a primeira nota de uma escala e depois a segunda nota da outra escala. [Tente utilizar o controle de estéreo e alterar entre um canal e outro, para compreender o efeito]. Existem várias maneiras pelas quais as pessoas percebem estes sons, mas a maneira mais comum é agrupar as notas agudas e graves juntas. Em vez de ouvir as duas escalas, as pessoas ouvem uma melodia descendente e depois ascendente em um ouvido e uma melodia ascendente e depois descendente em outro. Em outras palavras, o cérebro rearranja algumas das notas para um ouvido diferente, para formar uma melodia coerente. Pessoas destras tendem a ouvir a melodia que começa no agudo no ouvido direito e a que começa no grave no ouvido esquerdo, enquanto que os canhotos demonstram uma resposta diferente. Você poderá ler mais a respeito desta ilusão aqui (em inglês). |
Normal Lento |
5. Melodias Fantasmas.
Algumas peças musicais consistem em arpeggios de alta velocidade, ou outros padrões repetitivos, os quais mudam apenas sutilmente. Se eles são tocados de maneira rápida o suficiente, o cérebro capta aquelas notas ocasionais que se alteram e as une em forma de melodia. Esta melodia desaparece se a seqüência é tocada lentamente. Observe essa diferença nas gravações da Frühlingsrauschen ("Sussurro da Primavera"), de Christian Sinding. Na velocidade mais alta, as notas que se alteram permanecem em sua percepção tempo o bastante para serem reconhecidas como uma melodia, mas, em velocidades mais baixas, elas permanecem separadas de maneira bem clara. Gravação original: http://www.classicalmidi.co.uk/page7.htm. A gravação mais lenta é cortesia de Karle-Philip Zamor). |
Veja também o artigo "Outras Incríveis Ilusões Auditivas"
Fonte: Revista New Scientist, vol. 197, nr. 2644 (23 de fevereiro de 2008).
Artigo original disponível on-line em http://www.newscientist.com/channel/being-human/dn13355-music-special-five-great-auditory-illusions-.html
Tradução: Adrian Theodor (abril/2008). Revisão: Levi de Paula Tavares.